Ou como servir espécies em perigo de extinção, nomeadamente:
OS VERDADEIROS CRENTES
As tartarugas escalam superfícies planas, já reparaste?
Não sabem que é plana.
Para elas, tudo é dor e esforço. Subindo rumo a um horizonte infinito, as tartarugas dão cada passo contra a gravidade esmagadora, sem o salto gracioso e glamoroso de um casco ou de uma pata. Tudo o que têm é o ritmo teimoso e inabalável daquelas garras escuras, empoeiradas e pesadas a cravar-se na terra.
As tartarugas contam a si próprias um mito: acreditam que têm o poder de desaparecer, mas tudo o que fazem é fechar os olhos como crianças que dizem a si próprias e ao mundo que se tornaram invisíveis — mas estão presas. As tartarugas são pressionadas contra a terra implacável pelo pé brutal da sua própria verdade.
As tartarugas não têm outra defesa, são elas próprias: carapaças sem adornos, pouco atraentes, de verdades desagradáveis que protegem a carne tenra da crença absoluta que se encontra por baixo.
As tartarugas sabem que o mundo é lento, mas nunca tão lento como quando — cedendo ao engano — fervilham na sopa borbulhante e agonizante do arrependimento salgado.
Ironicamente, nos seus últimos suspiros, as tartarugas experimentam um momento de glória, apenas alguns segundos antes de ouvirem o grito de alegria: O JANTAR ESTÁ SERVIDO!
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