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Saturday, 6 June 2026

ELOGIO FUNERÁRIO NO CEMITÉRIO DE UMA IGREJA RURAL

Alguns amores enterramos

enterrados bem fundo,

Ao abrigo dos trovões e granizo


Outros amores enterramos

Em sepulturas escassas,

E afastamo-nos.


Assim, mesmo que os mortos

Implorem e murmurem,

Com as línguas a roçar

Húmidas no cascalho empoeirado.

Não ouvimos.


Afastamos-nos,

E caminhamos, corremos;

Fugimos, viajamos

Sempre para longe; porque

Alguns amores enterramos

Em sepulturas escassas,

E embora o cadáver

Esteja frio e imóvel,

Não ousamos voltar-nos

Para não vermos

Através da terra

Descuidadamente espalhada


O delicado tombar

Dos dedos em torno

De uma palma suplicante,


Ainda oferecendo amor,

Implorando ternura

Como uma esmola.


Manuela Cardiga

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