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Thursday, 18 December 2014


Lembrei-me disto, agora que a coisa assume contornos tão fascinantes para a realidade Nacional...Suspeito que em breve lembraremos essa época passada com o nosso saudosismo caracteristico como "os bons tempos"...


NADAL DE CUECAS - Pondo tudo a nu!

Hoje houve greve de comboio, e eu, que costumo ir com o nariz enfiado num livro ou no lap-top, distrai-me a observar a multidão.

Aí as letras gordas dum jornal me saltam á vista!

NADAL DE CUECAS
Um frisson de alegria percorreu-me- FINALMENTE! 
Um jornalista a sério decidido a expor a verdade nacional!

Pronto, seria um jornalista um pouco disléxico, ou talvez ás portas da morte com Ébola e a utilizar um programa Voice-to-Text para deixar o seu testamento jornalístico á nação… Temos que perdoar uma ou duas calinadas na ortografia a quem demostra tal coragem.

Mas depois verifiquei que o NADAL é um tal tenista decidido a bater bolas publicamente nas cuecas reduzidíssimas produzidas por um outro Tommy qualquercoisa (dedo mindinho???) por quantias avultadas…

Pronto. Mais uma desilusão.

OK! A gente sobrevive. Alias, para ser correcto deveria ser NATAL EM PELOTA, e não NATAL DE CUECAS.

Aí percebi…Estou a fugir á minha responsabilidade cívica.

Eu que ando prá ai sempre de dedo no ar a dizer ás pessoas o que pensar, e a escrever coisas que ninguém quer ler (chiquíssimo) e ainda por cima em Inglês; eu que tenho uma filha Portuguesa, tenho a mesma obrigação e direito de dizer mal!

Pago ou não pago impostos?
Pago sim senhora!
Por isso aqui vai ela…

Tá mal, tá muito mal verificar que num Portugal onde a maioria dos lares se governa com quantias reduzidas de pilim (não posso responder por outros, mas ganho exactamente 600 €) desapareçam não se sabe bem como nem para onde, milhões e milhões…

Bom, MILHARES DE MILHÕES! Nós plebeus mal remendados (o remediado já lá vai!) nem sequer conseguimos imaginar tais quantias em termos reais, mas que elas há, há. Quer dizer, não há.

Os senhores acostumados á Dolce Vita andam a gritar dum tal Salgado…

Salgado, salgado também não calha mal. Um pastelinho de Chaves, ou um de bacalhau, e ainda por cima nesta época de Natal que se avizinha e se prevê magra, não dá para recusar um Salgadinho bem temperado.

Ai Mar Salgado quanto do teu Sal, são lágrimas dos investidores do nosso Portugal… (olha que a citação até dá um ar intelectual á coisa, não é?)

Adiante! Por coincidência e por obra e graça dum Espirito Santo qualquer, um outro Senhor – também ele com aspirações intelectuais- foi dentro.

Ah pois é bébé!
O Sócrates andou por ai feito finório, em Paris, vejam bem!
Mas a malita de cartão dele tinha mas é “papel”. E muito papel. Agora está em Évora de férias, numa suite privada.

Privado, verdade seja dita, da sociedade dos seus pares e isso é uma crueldade.
O Homem é um animal social, e o rapaz está em solitária, deprivado da companhia dum tal Manelito – moço enxuto e bem constituído com tatuagens e tudo, meigo, carinhoso e com muito afecto para dar, que tudo dava para apanhar pela frente (ou por traz) um rapaz como o nosso Zézinho para relação séria e/ou talvez casar. Em vez duma vida sociocultural normal, o Zé está condenado ao silencio e ao isolamento deprimente… 

Castigo cruel e desumano! Esta situação tem levado imensa gente caridosa, e carinhosa a deslocar-se aos ditos calabouços onde o nosso Zé -feito Edmundo Dantes trancado na Fortaleza de IF- se pranteia e se declama inocente.

Tanta gente a visitar, que se calhar deviam colocar mas é uma daquelas portas giratórias na ditosa suite - quer dizer, cela- não vá o Guarda desenvolver uma tendinite de tanto dar á chave.

Eu no lugar do Zé tinha medo. Muito mesmo. Não fosse o nome do tipo Sócrates. Aposto que todos lhe levam um miminho. Uns docinhos, uns salgadinhos, um bolito Rei… Cuidado ó Zé! Não vá o doce e o Salgado ocultar o sabor da cicuta…

“Timeo Danaos et dona ferentes”, tenho dito.

(outra citação bué de erudita e trés intelectualoid, eu sei, mas não resisti! A culpa é do Zé! Sócrates/Cicuta/Gregos/Troianos… "Temo os gregos e as suas oferendas” calha bem!)

Por isso acautela-te, oh Zé, e fica de bico calado! O que nos leva ao lugar comum final:

ENTRE GREGOS E TROIANOS ALGUÉM SE HÁ-DE ESCAPAR.

Este Inverno quente, este Natal magro vai provar que mesmo o povo em pelota não se importa que fique tudo em águas de bacalhau. Bacalhau com todos, claro. Ou á Lagareiro.

A posta alta bem demolhada passa na garganta mais refinada, tenho dito.

FELIZ NATAL DE CUECAS AO NOSSO PORTUGAL!

(Ou em pelota, pois até a folha do figo tá caduca. Já viram bem o preço dos figos secos???)


Manuela Cardiga

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