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Friday, 29 September 2017

VESPERS WIND VELOCITY 9

The wind
that whines
and twines
around the edges
of my mind
rises at twilight.

I hate that
hollow sound
that howl
an almost growl
I hate the constant
endless sound

I wish it would
die down
fade away
let me stay
in my silence,
my prayer.


MC

Wednesday, 27 September 2017

Autumn is coming...

Today a sharp sour scent of chill and sadness blew in across the bay, defying the high blue sky. Autumn. Autumn comes. Strangest and saddest of all seasons. How I hate it.

Oh Spring smells dizzy and absinthe-green with drunken hope, bubbly with buds bursting into tremulous dances of desire; and Summer is ripe, rich spice and sultry heat - slow with languorous, swollen-lipped fertility...

Winter now, Winter is silence. Hushed whispers of rain, white silence, cleansing purity of cold, scourging that voluptuous sin from our skin, blanching us. Every Winter we are parchment patiently scoured for a new beginning. Each Winter is a season of prayerful fasting, waiting, waiting for the Sun to come again. Winter I can love.

But Autumn I loathe. Autumn is an overblown and blowzy whore, clad in scraps and rags of scarlet and gold - pretending to a lushness long gone. Autumn is a sad slattern, dropping colour, dripping wet putrescent leaves to be mangled by a million feet.

Autumn smells of death and decay. That frantic last dance of Indian Summer, that pretense of ripe apples and syrupy wine is a lie. Lean closer. Under that sweetness is the grey and bitter exhalation of decay.

So burn Autumn in a pyre, pile up high those slippery maggoty logs, the limp and viscous leaves. Burn it. Let fire devour that lie. Let Winter come and bring that grey and gentle mourning sky.
And so let us weep rain, and know that through that pain, we learn to hope again.


MC
When things are at their very worse, is when God is preparing you to be blessed.

MC

Tuesday, 26 September 2017

AMOR MUDO

Senti esse teu beijo
De lingua bravia
Feiticeira enguia
despertar-me a paixão

Ofereces-me a obsessão
O desespero e a delicia
Duma relação illicita;
Ofereces-me o coração;

Mas digo-te que não:
Tenho filhos pra criar,
Marido pr'a amar,
Mundo pr'a enganar

Senti a seda
Dos teus seios
Na concha
Das minhas mãos

Não posso negar
O que sinto no corpo
Não vou recusar
Verdade mesmo torpe

Mas digo-te que não:
Tenho filhos pra criar,
Marido pr'a amar,
Mundo pr'a enganar

Não vou gemer mentiras
Pois ao teu toque travesso
Sou gelo no deserto
Da minha vida sem prazer

Não te posso oferecer
O que tens para me dar
Não quero sofrer
Nem mesmo p´ra te amar

Não chores, vê se entendes:
Tenho filhos pra criar,
Marido pr'a enganar,
Mundo pr'a enfrentar...


MC

Sunday, 24 September 2017

Funny, so many claim they wish to help, but so few actually do. It seems that between the promise and the act is a leaping ocean of good intentions.Or self-deception. You choose.

MC

Saturday, 23 September 2017

SINOS REZADOS

Sinos clamando
Palavras de amor,
Sinos quebrando,
Chorando de dor

Flores de metal
Mentiras de mel
Linguas do mal
Badalam fel

Sinos que chamam
Bocas amargas
Vozes travadas
Malvadas, mentiras de amor

Ouvi tua voz
Sino sonoro
Chamando por mim
Rezei que tu fosses
O fim e a cura
Dessa procura
Pela loucura
Achado de ternura
Verdadeiro amor

Flores de metal
Feridas com sal
Lingua bossal
Beijo brutal

Sinos proclamam
O fim do amor
Com vozes roucas
Palavras loucas, rasgadas de dor

Sinos rezando,
Desejos profanos
Sinos cantando
Em tons de pranto, desgostos de amor


MC

Thursday, 21 September 2017

PUNHOS DE RENDA

Punhos de renda
Para que a dor não ofenda
Coração de mulher

Levanta a mão
Atira-a para o chão
Ajoelha-se: "Perdão"

Enquanto ele grita,
Ela hesita,
Receia e agita
Asas para voar

Mas comovida
Por aquele pranto
Deixa-se enganar
Acaba por ficar

Já a mãe lhe diz
Torcendo o nariz
Ao seu lamentar:
Minha filha acredita,
Pior essa dor maldita
Do que não ter amor.

Punhos de renda
Para que a dor não ofenda
Para não marcar

Rosto tão lindo
Dadiva do Divino
Sua mulher, seu par

Ele tem desdém
Não permite quem
Os queira separar

Homem de bém
Só é alguém
Mestre do seu lar

Punhos de renda
Para que a dor não ofenda
Para não chorar

Ela não fala,
Quem consente cala,
Não pode reclamar

Punhos de renda
Flores escarlates de amor,
Salpicos de horror

A vizinha grita
"Silencio, olha a fita...
Parem de bulhar."

Punhos de renda,
Morta com uma venda
De sangue no olhar

Negro luto, tanta dor
Diz o povo sem pudor
"Quem poderia sonhar..."


Manuela Cardiga